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01/01/2012
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HISTÓRICO
Histórico
da Turma
Fevereiro de 1976, este foi o início. Não para todos, pois muitos entraram na
turma após, na Escola Naval, mas o início foi aquele. Históricos de turmas são muito
particulares, e as peculiaridades que nos marcaram ao longo de nosso tempo juntos podem
fazer pouco ou nenhum sentido para nossos parentes mais próximos. Há algo em toda turma
que gera um sentimento fraterno que não se apaga, não se dilui, não importa o tempo que
nos afaste. Quando nos reunimos a festa é a mesma, como se não nos
houvéramos separado.
Históricos também são dinâmicos, e há sempre algo mais a acrescentar, pois a memória
da turma é maior que a memória de um só escritor. Assim, outros irão ajudar a
enriquecer nosso histórico gradualmente, até torná-lo o mais completo que possamos
fazê-lo, mas nunca definitivo.
Pretendo começar apenas com nomes, nomes daqueles que estão há muito afastados ou
afastados para sempre, como Virgílio e Hildo Oliveira que, aliás, rebatizou nossa turma
como uma derradeira homenagem. Quem ainda se lembra de "Hildo Manero é Toni Oliveira
em ´Os embalos de sábado à noite`"? Mas comecemos do início, com nossa primeira
baixa, que conheci apenas como um número, 2018, o primeiro a ir-se do Colégio Naval
ainda no dia da chegada. Dois dias após veio o segundo, 2046 Martinez. Do seu rosto ainda
me lembro, como de todos os demais que relatarei, sem guardar qualquer ordem específica.
Começarei pelos "reps", que em nosso primeiro ano compuseram cerca de um quarto
de nossa turma. Lembremos que entramos direto para o segundo ano do Colégio, quando a
duração do curso passou de dois para três anos, e que os repetentes da turma que pulara
do primeiro para o terceiro ano ficaram à meio caminho, no segundo, misturando
peculiarmente veteranos e calouros em uma mesma turma, um hábito do Colégio que se
encerraria conosco. Somávamos cerca de 130 então, um número pequeno para a época e que
tenderia a diminuir cada vez mais.
Os "reps" competiam entre si para ver quem conseguia a pior fama, o que não
deixa de ser engraçado, considerando os garotos que todos éramos na época. O último da
turma era um "rep", 2131 Reimer, da turma 21. Reimer era na dele, pensando a
maior parte do tempo na vida que ficava do lado de fora. Não impressiona que não durasse
muito. Pensando na turma 21 me lembro que sua sala se tornou o palco das primeiras
partidas de "Rollerball", quando as carteiras eram afastadas para abrir espaço
e um dos escaninhos do fundo da sala deixado aberto, a título de gol (alguém ainda se
lembra do filme com o James Caan?). Bem, os "reps" formavam um time e os
calouros o outro, todos só de meias para poder deslizar os pés no assoalho como se
estivéssemos patinando. Havia uma bola de meia e o objetivo era colocá-la dentro do
escaninho aberto, com as mãos. Aqueles que se lembram do filme sabem muito bem como
Rollerball era jogado, semelhante ao hóquei onde encontrões, safanões e rasteiras são
permitidos. A diferença era que o time dos calouros não podia revidar. Muito
estimulante.
Mas havia os "reps" mais tranquilos, como Ricardo Paixão, o surfista, e
Siqueira Júnior, um ótimo desenhista, e que muito contribuiu para o jornalzinho de nosso
tempo, o "Gingilim". E lá estavam Pessanha; Sérgio Motta, o
"trombinha"; Costa Fonseca, o "boca de caçapa"; Oliveira Júnior;
Casimiro e Novaes Gomes.
Com o tempo os calouros também se tornaram veteranos, o curso do Colégio terminou e
seguimos para a Escola, mas nem todos. Allen, Nazareth, Gabardo, Alves, Miranda, Sá
Freire, Nogueira, Daumerie, Dráurio, Zardini, Queiroz, "Coronel" Andrade,
Marcelo Wangler, Almeida, Ilton Barbosa, Siqueira, Costa Fonseca e, não muito tempo
depois, Telmo e Odir. Não foram só esses e ainda não terminou. Há baixas mais recentes
mas estas serão tratadas em uma continuação, e outros nomes e histórias serão
lembrados, gradualmente e a seu tempo, assim sempre teremos um gostinho de mais. Somos uma
excelente turma porque somos nossa turma, mais que uma página possa conter ou que um
somente possa lembrar. Não me esqueço do rosto dos que se foram e sei muito bem que,
onde quer que estejam, cada um se lembra muito bem de todos nós. Que um dia possamos nos
reencontrar, e será como se fora ontem que nos vimos pela última vez. |
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Histórico
da ATHO
De longa data, desde 1989,
ocorriam reuniões da Turma. Inicialmente, por iniciativa de uns poucos companheiros e de
forma um pouco desorganizada, posto que por não haver uma pessoa jurídica estabelecida,
não era possível o desconto em folha de mensalidades e todos os eventos tinham que ser
rateados pelos participantes, de forma integral. A idéia de se criar a Associação
permanecia, porém, faltavam duas tarefas: escolher um nome para ela e aprovar o seu
Regimento Interno, que até então só estava em rascunho. Vamos primeiro ao nome e, para
tal, teremos que voltar um pouco no tempo... Em 1976, ao ingressarmos no Colégio Naval,
começávamos a formação da nossa Turma. Naquele momento, ainda não tínhamos
consciência deste importante acontecimento, e, já naquela ocasião, o aluno Hildo
Oliveira começava a se destacar, devido à maneira alegre de encarar as dificuldades,
aliada ao seu carisma, o que logo o colocou, embora ele não soubesse, com a tarefa de
congregar aqueles garotos assustados que acabavam de deixar suas famílias e entravam em
uma nova fase de suas vidas. Terminado o Colégio Naval, seguimos para a Escola Naval, com
um pouco de experiência, porém ainda cheios de dúvidas e conflitos. Mais uma vez,
encontrávamos no nosso amigo Hildo Oliveira um exemplo de companheiro, capaz de enfrentar
os desafios com grande determinação e sempre com muita alegria. Finalmente chegamos ao
oficialato e cada um escolheu seu rumo. O então Tenente Hildo Oliveira realizava o seu
grande sonho, tornando-se um Aviador Naval. Um amigo tão especial tinha que andar acima
de nós. Infelizmente Deus precisou de alguém que alegrasse o céu e chamou-o para junto
de si. Como mais uma de suas brincadeiras, simplesmente sumiu com o seu helicóptero, não
deixando qualquer vestígio. Foi assim que nosso amigo Hildo nos deixou. Com certeza, ele
partiu como queria, pois ele jamais permitiria que seus amigos chorassem em seu velório
ou enterro. Assim, por um consenso geral da Turma, resolvemos homenagear nosso amigo
Hildo, colocando o seu nome na nossa Associação. Faltava, ainda, a segunda tarefa. Com a
oportunidade criada pelos cursos de AEM na EGN, em 1998, ao congregarem cerca de 90% da
turma, foi finalmente implantada a nossa Associação de Turma, com Estatuto e Regimento
Próprios. A primeira Diretoria oficialmente constituída foi a seguinte: Garnier
(Diretor-Presidente); Portela (Diretor-Administrativo); Janito (Diretor-Financeiro); e
Lunardelli (Diretor-Social). A segunda Diretoria foi: Garnier (Diretor-Presidente);
Cardoso Gomes (Diretor-Social); Fernando (Diretor-Administrativo); Genildo
(Diretor-Financeiro); e Pedreti (Secretário). Nascia, então, a Associação de Turma
Hildo Oliveira, a nossa ATHO. Hoje, não contamos com a presença física do Hildo, mas
ele estará presente em cada reunião da Turma e, com certeza, muito feliz, pois era assim
que entendia a vida - alegre, com muitos amigos, entre risos, piadas e um boa cerveja
gelada. Ao prestarmos esta homenagem ao nosso amigo Hildo Oliveira, colocando o seu nome
na nossa Associação de Turma, desejamos que a sua lembrança fique viva em cada um de
nós, como um exemplo de amor à vida. |
Inicialmente, gostaria de fazer uma pausa em
memória aos nossos amigos que já passaram, mas que neste momento, tenho
certeza, aqui estão.
Meu Colégio Naval querido e amado! A você,
muito obrigado, por teres sido o meu mestre, por tudo de bom que me deste.
Obrigado por me fazer sentir gente, por teres sempre me orientado, com
respeito e muito cuidado; novamente eu repito, dormindo e acordado: Meu
Colégio Naval querido: Obrigado!
Com lágrimas nos olhos e com aperto no
coração digo para todos: quando te vi pela primeira vez não acreditei nos
meus olhos, tu foste meu lar, meu castelo e meu abrigo.
Passado todos esses anos eu confesso, CN, tu
nunca foste esquecido, em tudo eras lembrado. Pela manhã, à tarde ou mesmo
na madrugada, estava eu sempre a relembrar os momentos maravilhosos que
juntos ou não me deste a desfrutar.
“De que importa do nauta o berço, se ama a
cadência do verso que lhe ensina o velho mar.” (Castro Alves)
Porém, contrariando o poeta, aqui estamos
valorizando aquele que foi o nosso berço. O CN foi a base de grandes
amizades e o sustentáculo da nossa vida profissional, mas, agora, o quem vem
é um vendaval de lembranças, lembranças de um tempo que só se reiniciará com
a vinda dos nossos filhos a esta casa e neste momento, nós vamos descobrir
novos sentimentos.
E são estes sentimentos desconhecidos que eu
sigo nos agradecimentos. Era chegada a hora de deixar parte do seu ser se
afastar, seguindo os caminhos que seus instintos sugeriam, era hora de ter
que olhar para aquela cama e vê-la vazia e, nesta hora, morder os lábios e
engolir a angustia de deixá-lo crescer de deixá-lo vivenciar, sozinho, as
suas novas experiências. Mas, com certeza, muitas noites choraram e tiveram
de se resignar, pois era este o destino escolhido. A estas pessoas – nossos
pais e mães – que, juntos ou separados, tiveram o papel fundamental neste
primeiro embarque, que, mesmo chorando por dentro, se despediam aos domingos
sempre com palavras de conforto e confiança. A eles, mesmo sabendo que não
há palavras que possam exprimir o nosso agradecimento, ouso simplesmente
dizer muito obrigado, te amo.
Vinte e cinco anos; viajamos muito e
fundeamos em muitas enseadas, mas foi aqui que se iniciou a construção do
nosso barco e a este princípio se deve o reconhecimento aos mestres, nossos
oficiais e, por que não dizer, nossos veteranos. Eles foram nossos exemplos,
exemplos bons e às vezes nem tanto, mas indispensáveis a uma boa formação.
Por merecimento e vontade o nosso obrigado.
Como escreveu o nosso amigo Telmo, “a vida dá
passos que nos levam aos mais diferentes caminhos”, mas, por força do elo
que se fundiu, ela mesma junto com o “fogo mágico”, que inspira aos mais
jovens a refletir sobre o futuro e aos mais experientes a homenagear o
passado, nos fez convergir para a enseada Baptista das Neves, neste dia de
demonstração de Amor à Marinha e à Pátria.
Mas se faz mister relembrar alguns momentos
do nosso “Diário de Bordo”:
·
No dia 10 de fevereiro de 1976, cerca de 10:30h, a apresentação da grande
maioria dos futuros calouros;
·
A
aula inaugural, que foi proferida pelo professor Victor Chirity;
·
Pelotão Tamandaré;
·
Primeiro embarque no NDCC Duque de Caxias e a viagem até Itaóca;
·
Nosso primeiro licenciamento, no qual, orgulhosos, poderíamos mostrar o
nosso “Chiquinho” para a família; para os amigos e no caso de alguns, à
namorada; e
·
A
rústica terrestre, que demonstrou de que material nós estávamos sendo
forjados.
Todavia esse passado só se configurou em
presente graças aos alicerces que fomos juntando neste caminho; as esposas e
filhos, que são a razão e a força para seguirmos remando independente da
corrente; vocês são as nossas vidas, obrigado! Aos novos, mas antigos amigos
que se juntaram na Escola Naval, sendo que hoje efetivamente não mais vemos
diferença, obrigado! A todos da Associação Hildo Oliveira, obrigado!
Ao Comandante do Colégio Naval, autoridades e
demais presentes o nosso muito obrigado por engrandecerem e abrilhantarem
esta cerimônia.
Sem me estender mais, gostaria de reafirmar à
todos os presentes e, principalmente, aos mais modernos, que o “Nosso ideal
é bem no alto manter nossa bandeira”.
E que Deus nos abençoes e nos permita
retornar em 2026 acompanhados também dos nossos netos ou, quem sabe,
bisnetos, para descerrarmos a placa de 50 anos.
Obrigado.
Angra dos Reis, 31 de abril de 2001
Claudio
Pedrosa de Oliveira
CAPITÃO-DE-FRAGATA

última
modificação em
31/12/2006.
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